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Internacionalização de negócios: quais os primeiros passos para uma empresa entrar na Europa?

Especialista orienta sobre exigências regulatórias e destaca que o movimento exige estruturação estratégica para identificar oportunidades e evitar retrabalho

A União Europeia reúne um dos maiores mercados consumidores do mundo, com elevado poder de compra, segurança jurídica e acesso a diferentes países por meio de seu espaço econômico. Além de ampliar as possibilidades de receita, a presença na região pode fortalecer marcas e reduzir a dependência de um único mercado, especialmente diante das perspectivas relacionadas ao acordo entre Mercosul e União Europeia. Entretanto, antes de avançar na expansão internacional, é necessário estruturar adequadamente o negócio, avaliar riscos e identificar oportunidades para evitar prejuízos e retrabalho.

Entre os primeiros passos para iniciar uma operação no exterior estão a validação da demanda pelo produto ou serviço, a compreensão das normas regulatórias aplicáveis e a avaliação da competitividade diante dos concorrentes locais. A empresa também deve definir o modelo de entrada mais adequado, considerando alternativas como exportação, atuação por meio de distribuidores ou constituição de uma operação própria.

Segundo o advogado especialista em negócios internacionais Bruno Albuquerque, que atua na estruturação de negócios entre Brasil e Europa, não existe uma fórmula única para a entrada no ambiente de negócios europeu. O caminho depende do segmento, do produto, da capacidade da empresa e dos objetivos estabelecidos para a expansão.

“Em muitos casos, é recomendável estudar se o negócio é realmente competitivo e começar por meio de exportações ou de distribuidores locais. À medida que a atuação se consolida e surgem oportunidades de novos investimentos, a abertura de uma operação própria pode ser avaliada com maior segurança, desde que esteja alinhada a um planejamento jurídico, tributário e comercial adequado”, afirma Albuquerque.

Contratação no cenário europeu

Quando a intenção da empresa não se limita à comercialização de produtos ou serviços, mas também envolve a contratação de profissionais para atuar na Europa, o estudo precisa ser aprofundado. Entre os fatores que devem ser considerados estão a escolha do país alvo da expansão, a disponibilidade de mão de obra, os custos operacionais, a existência de incentivos a investimentos e a capacidade do sistema logístico de atender aos mercados pretendidos.

Essa avaliação é importante porque as condições encontradas em cada país podem influenciar diretamente a operação e a competitividade do negócio. “Antes de constituir uma estrutura própria, a empresa precisa compreender quais custos assumirá, quais profissionais estarão disponíveis e se a localização escolhida permite atender adequadamente aos mercados considerados estratégicos. A decisão não deve ser tomada apenas com base na facilidade de abertura da operação”, explica o advogado.

Internacionalização e estruturação jurídica

A aproximação entre Mercosul e União Europeia tende a criar oportunidades para diferentes segmentos à medida que as disposições do acordo forem implementadas. Dentre os setores destacados por Albuquerque, estão o industrial, alimentício, tecnológico, agroindustrial e de serviços. Ainda assim, a existência de um ambiente comercial favorável não significa que a internacionalização seja adequada para todas as empresas.

O advogado alerta que, antes de avançar, o empresário deve avaliar se há condições para cumprir as exigências regulatórias do mercado europeu sem prejuízo, considerando desafios que incluem diferenças culturais, custos de adaptação, proteção de dados, questões tributárias, cumprimento de normas específicas e concorrência qualificada.

De acordo com Albuquerque, o planejamento prévio acompanhado de um profissional permite identificar riscos antes da execução e reduzir a possibilidade de custos inesperados, adaptações tardias e retrabalhos.

“O acordo pode ampliar oportunidades, mas não substitui a análise individual do negócio. Antes de decidir adentrar o mercado europeu, a empresa precisa entender se essa decisão faz sentido para sua realidade, sua estrutura e seus objetivos. Se após a avaliação a internacionalização se apresentar como cenário positivo, a empresa deve iniciar a estruturação dessa expansão de mercado”, conclui.